É necessário uma ampla visão do processo de gerenciamento de resíduos para executar um planejamento eficiente, que prevê desde a melhor escolha para a destinação do lixo até a conscientização daqueles que o geram.
Todos os dias são produzidas aproximadamente 89 toneladas de Resíduos de Serviços de Saúde em São Paulo. Esse volume representa apenas 5% de todo o lixo recolhido diariamente na Cidade, porém, gerir essas sobras requer planejamento.
Em meio a esparadrapos, gases, algodões, encontram-se elementos potencialmente infectantes, como químicos, materiais perfurocortantes como lâminas e agulhas, e também os radioativos, utilizados na medicina nuclear. Assim, solucionar essa destinação diversa dentro do ambiente hospitalar não é tarefa fácil.
A elaboração e implantação de um Plano de Gerenciamento de Resíduos de Serviços de Saúde - PGRSS ajuda em muito esse processo.
O Plano diz como deve ser feito o manejo do lixo hospitalar, da geração até a destinação final, passando pela segregação, acondicionamento, coleta interna, armazenamento, transporte, tratamento e destinação final, além do cuidado com todos os profissionais envolvidos no processo.
O detalhamento do PGRSS se encerra na elaboração de planta baixa com o trajeto que será feito por todo tipo de lixo gerado. Esse percurso não pode ser cruzado com alimentos ou roupas utilizadas nas internações, para não haver risco de contaminação.
Desta forma, é importantíssimo a conscientização dos funcionários para se ter êxito neste processo. O profissional deve ter em sua cultura a questão da economia dos resíduos e dos materiais que está utilizando, o manuseio e o descarte adequado.
A destinação final deste resíduo hospitalar é através do recolhimento por empresas que prestam serviço para prefeitura, em caminhões especialmente preparado para esse transporte, que coleta em frequência conforme o volume gerado.
Antes de seguir para o destino final, o material passa por tratamento, de acordo com sua classificação: Resíduos Classe A, agentes biológicos, passam pela desativação eletrotérmica, assim como os da Classe C, radioativo. Os resíduos da Classe B, drogas quimioterápicas, são incinerados.
De uma forma geral, a conscientização dos estabelecimentos de saúde é bastante grande com relação a importância do PGRSS, porém, o problema ainda é preocupante visto que são poucos os municípios que tem local adequado para o descarte e muitas cidades são condenadas junto com os geradores a ressarcir o meio ambiente pelos danos causados.
Dicas para elaborar o PGRSS:
1) Definir os objetivos gerais
2) Constituir uma equipe de trabalho
3) Diagnosticar a situação atual do estabelecimento
4) Elaborar de forma detalhada conforme legislação o PGRSS
5) Efetivar o PGRSS, garantindo uma adequada coordenação
6) Controlar e reavaliar periodicamente a implementação do PGRSS.
Resoluções e Normas :
- Resolução Federal Anvisa 306/04 - Dispõe sobre o regulamento técnico para PGRSS
- Resolução Federal Conama 358/05 - Determina as regras para tratamento e disposição final dos RSS
- Resolução Estadual Conjunta SS/SMA/SJDC nº1/98 - Aprova diretrizes básicas e regulamento técnico para apresentação e aprovação de PGRSS.
IMPORTANTE: O PGRSS é aprovado pela Vigilância Sanitária Local.
Denise Barja
Especialista em Vigilância Sanitária